CRIANÇADA SEM LIMITES, DE QUEM É A CULPA?
Trabalho em escola há mais de 35 anos, convivo com crianças e adolescentes e vejo que, atualmente, a criançada está ficando sem limites. Geralmente, não obedecem aos pais, ou aos avós, quando criadas por eles, - e são muitas assim - que vejo diariamente.
De quem é a culpa? Hoje em dia, com o contexto familiar se desmoronando a cada dia que passa, as separações entre casais ficando uma coisa corriqueira, é, sem sombra de dúvida, uma das causas, senão a maior delas, da falta de limites das crianças, porém, vejo muitas outras, também, cujos pais não são separados, agirem da mesma maneira, sem limitações de comportamento. Uma coisa é concreta: os pais, para, talvez encobrirem uma falha presencial junto ao filho, procuram fazer-lhes a vontade em tudo, fazendo com que a criança cresça achando que pode tudo, e ninguém tem o poder de impedí-la.
Vi esta semana, a mãe de um policial morto no helicóptero que caiu numa ação policial, fazer um alerta aos pais, para que deem limites aos seus filhos enquanto são pequenos, porque, quando chegarem aos doze, treze anos, será muito difícil, talvez impossível de fazê-lo. Mesmo na dor, aqwuela mãe lembrou-se dos filhos dos outros. Que Deus saiba como diminuir a dor daquela mãe.
Vejo muitas vezes, em jornais e televisão, jovens de classe média alta, com boa condição financeira, no meio da bandidagem, assaltando, se drogando, sendo presos ou mortos, para desespero dos pais, que, talvez, não tenham tido o pulso forte na hora certa, quando ele era criança ainda.
Dar limites ao filhos, não significa bater nele. Isso não ajuda em nada, pelo contrário, a criança não vai ter respeito pelos pais, e sim, medo, revolta, e será, com certeza, um adulto problemático. Os pais devem ter conversas com os filhos, apontar-lhes os erros e fazer-lhes verem a diferença entre o certo e o errado e, quando foram castigados, saber porque estão tendo aquele castigo, isso os faz diferenciar o certo do errado e os ajuda a serem adultos conhecedores de direitos e deveres.
Espero que as coisas mudem, porque estou vendo um futuro muito problemático para as escolas, com esta geração que está surgindo.
Sempre digo aos alunos, que a educação vem de casa, não é obrigação da escola educar (falando-se em boas maneiras) as crianças. A escola é outro tipo de educação, é a educação pedagógica, mas, infelizmente, muito pais não sabem o que é isso, porque, provavelmente, também não vivenciaram isso com seus pais.
Não é tarde. Faço um apelo e ao mesmo tempo uma obervação, plagiando a infortunada mãe do soldado morto por bandidos, os quais, quem sabe, se tivessem tido limites quando crianças, não estariam matando pessoas indiscriminadamente: "coloquem limites nas ações de seus filhos enquanto podem, depois será tarde demais, e sua perda poderá ser muito triste e dolorosa."
Tenho muitas esperanças, ainda, que os pais tomem consciência disso, para o próprio bem deles e dos filhos.
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